As artérias carótidas são responsáveis por conduzir o fluxo sanguíneo do coração até o cérebro, saindo do tórax e passando pelas laterais do pescoço.
Diante dessa função essencial, o estreitamento dessas estruturas pode ser secundário a e é chamado de ateromatose carotídea tendo um potencial de desencadear complicações sérias, como um acidente vascular cerebral.
O bloqueio geralmente se dá por conta do acúmulo de placas de gordura e/ou de cálcio que, em determinado momento, impede que o sangue flua naturalmente, restringindo a irrigação e a oxigenação de vários tecidos. As placas ateromatosas também podem se desprender e ocluir artérias do cérebro ocasionando o AVC isquêmico.
As características diferenciais de um quadro de ateromatose carotídea
Também chamada de estenose da carótida ou de doença aterosclerótica carotídea, a obstrução nessas artérias tem como fatores de risco a idade, o tabagismo, o diabetes sem o devido controle e a hipertensão arterial.
Vale destacar que nos estágios iniciais, quando o bloqueio ainda é limitado, não há sintomas notáveis. No entanto, não é raro que a primeira manifestação notada seja aquilo que os especialistas chamam de ataque isquêmico transitório (ou AIT).
Ele acontece quando um pequeno fragmento da placa acumulada na parede da artéria carótida se solta e “viaja” até alguma artéria do cérebro e interrompe a passagem de sangue, geralmente de modo temporário. Nessas horas, talvez seja possível perceber:
- Fraqueza repentina em um braço ou perna de um lado do corpo.
- Paralisia repentina em apenas uma lateral do corpo.
- Perda de coordenação motora e capacidade de movimento.
- Confusão.
- Tontura ou dor de cabeça.
- Sensação de desmaio.
- Dormência ou perda de sensibilidade no rosto ou em um braço ou perna.
- Perda de visão ou vista embaçada.
- Fala enrolada.
Em primeiro lugar, diante de alterações dessa natureza, a busca por ajuda médica especializada o quanto antes é indispensável. Não é raro que o ataque isquêmico transitório preceda uma isquemia cerebral, de tal forma que coloca em risco o paciente.
Estimativas apontam que a estenose carotídea pode ser responsável por 20% de todos esses episódios.
O processo de diagnóstico da ateromatose carotídea
A identificação de eventuais obstruções das artérias carótidas depende geralmente de exames de imagens, feitos após a avaliação inicial do indivíduo admitido no consultório.
Com o intuito de dimensionar melhor o quadro, podem ser utilizados recursos não invasivos, como ressonâncias ou ultrassom com doppler, que permitem uma boa visualização da estrutura supostamente atingida.
Eventualmente, o profissional responsável pelo acompanhamento pode solicitar uma angiografia. Esse recurso depende da inserção de um cateter na artéria do pescoço e do uso de um contraste para checar os detalhes da obstrução.
Seja como for, com todas essas informações em mãos, é possível determinar a presença do bloqueio e, acima de tudo, qual a sua extensão.
Bloqueios abaixo dos 50% podem ser apenas acompanhados com a devida supervisão, avaliando de tempo em tempo como a condição evolui. Em caso de sintomas, em bloqueios acima dos 50%, o tratamento desobstrutivo pode ser considerado.
A introdução de mudanças no estilo de vida e a utilização de medicamentos para reduzir a formação agregação de plaquetas, bem como estabilizar as placas de colesterol capazes de obstruir o fluxo sanguíneo, podem contribuir para estacionar a doença evitando a progressão das placas e sintomas neurológicos.
A opção de tratamento endovascular dessa patologia com o uso de stents
Pacientes com 50% da artéria afetada e sintomas – ou assintomáticos e com estenose maior de 70% –, podem receber a indicação de cirurgia. Os riscos e benefícios de tais procedimentos devem ser considerados e discutidos com o médico.
Dentro das alternativas disponíveis, a abordagem endovascular é uma das mais utilizadas. Para isso, um stent carotídeo é utilizado. Ele é um tubo oco que cobre as paredes de um vaso sanguíneo, mas permite que o sangue flua no seu interior.
Ele é posicionado através de punção com agulha (na maioria dos casos, na virilha), com cateteres que guiam o dispositivo até o local desejado. Após a liberação do stent e ao final do procedimento, um balão é inflado para abrir a área de estenose.
Em paralelo, uma espécie de filtro é inserido para capturar qualquer placa que possa ser quebrada durante o procedimento, minimizando o risco de AVC. Entre outras possíveis intercorrências do procedimento estão a formação de coágulos ou bloqueios nas artérias e complicações no local da punção arterial.
Por conta disso, o médico pode orientar sobre a necessidade de repouso depois da intervenção, além de outras medidas de controle de qualquer incômodo relacionado ao ponto de inserção dos cateteres (como dor ou infecção) ou atenção a eventuais alterações cardiovasculares e neurológicas.
Assim sendo, o tratamento endovascular com stents é uma opção para quadros de ateromatose carotídea com boas perspectivas de prognóstico, sobretudo quando conduzidas mediante a avaliação correta feita por profissionais capacitados.
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Referências
Carotid Artery Stenting
https://jamanetwork.com/journals/jama/fullarticle/2772283
Carotid Artery Stenting
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK470541
Carotid atherosclerotic disease: A systematic review of pathogenesis and management
https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9578307
Doença aterosclerótica carotídea
https://www.scielo.br/j/jvb/a/6TLtpSNYR7fwN8vhvB67pbc/?format=pdf
Asymptomatic carotid artery stenosis: a summary of current state of evidence for revascularization and emerging high-risk features
https://jnis.bmj.com/content/15/7/717.long
Carotid Artery Stenosis
https://www.radiologyinfo.org/en/info/carotidstenosis