O progresso dos tratamentos para aneurisma cerebral coloca nas mãos dos especialistas (em especial dos neurorradiologistas intervencionistas) opções de intervenções endovasculares que dispensam a necessidade de realização de uma cirurgia aberta do crânio.
Na prática, essas técnicas utilizam instrumentos (cateteres) guiados por imagem que penetram na artéria que está alojando o aneurisma. A partir disso, recursos como molas, balões, stents e redirecionadores de fluxo podem ser utilizados para excluir a dilatação aneurismática, conforme avaliação prévia.
Os pontos-chave sobre a evolução de um aneurisma cerebral
Antes de abordar em mais detalhes os tratamentos endovasculares, vale a pena dar um passo atrás para traçar as principais características dos aneurismas que se desenvolvem dentro do crânio.
Em linhas gerais, eles se formam mediante a presença de um ponto de fragilidade de uma artéria que irriga o cérebro. Assim, há uma expansão nessa região, fazendo com que se forme uma espécie de “bolsa”, que acumula sangue.
É comum que os aneurismas permaneçam assintomáticos por longos períodos. Nesses casos, eles são encontrados apenas de maneira incidental em exames de rotina.
Contudo, com o tempo, o acúmulo de sangue aumenta a pressão intra-aneurismática e, perante o tecido vascular já danificado, há um rompimento. Isso causa sangramento cerebral e deve ser encarado como uma emergência médica.
De acordo com dados reunidos pela Sociedade Brasileira de AVC, acidentes hemorrágicos devido a rupturas de aneurismas atingem entre oito e dez pessoas a cada grupo de 100 mil indivíduos.
As aplicações de técnicas endovasculares no tratamento de um aneurisma
O início do uso de abordagens endovasculares em aneurismas rotos (ou seja, rompidos) data de meados dos anos 1970. Desde então, as ferramentas disponíveis vêm evoluindo, o que acaba fazendo dessa opção a primeira escolha na maioria dos quadros.
Isso, claro, deve considerar a avaliação do profissional responsável pelo acompanhamento, que analisa as particularidades de cada circunstância.
De qualquer maneira, diferente da cirurgia aberta, a incisão para a embolização de um aneurisma é mínima: a artéria necessária é alcançada através de um pequeno furo no punho ou na virilha. Ele é suficiente apenas para a inserção do cateter que guia o procedimento.
O utensílio é utilizado primeiro para a inserção de um contraste na corrente sanguínea, facilitando a visualização de veias e artérias. Em seguida, a oclusão (ou seja, o fechamento) da região em que o acúmulo de sangue ocorre pode ser feita com a aplicação de dispositivos como:
- Molas: que são feitas de platina em tamanho bastante reduzido e introduzidas para isolar o aneurisma da circulação sanguínea. É uma técnica utilizada geralmente em aneurismas de colo estreito.
- Balão e molas: em que um microbalão é temporariamente inflado na artéria principal durante a inserção das molas, evitando que elas se desloquem para fora da região tratada.
- Stents e molas: em que o item metálico é posicionado na artéria principal como suporte, permitindo a inserção das micromolas no interior do aneurisma, evitando que elas saiam do interior aneurismático.
- Stents: redirecionadores de fluxo, que utilizam malhas densas para desviar a rota sanguínea para longe do aneurisma, sobretudo se ele tiver uma grande extensão ou localização complexa.
Os possíveis riscos desse procedimento
Quase sempre, a embolização endovascular do aneurisma cerebral é uma forma de tratamento segura. Mas como em qualquer outro tipo de intervenção, é preciso considerar eventuais intercorrências.
Nessas circunstâncias, o principal deles reside no risco de ruptura do aneurisma por conta da sua manipulação.
Por mais que todos os cuidados sejam tomados, a área é frágil e sujeita a tal comprometimento. Segundo a Associação Norte-Americana de Cirurgiões Neurológicos, isso acontece em 2% ou 3% dos casos, embora o número não seja muito bem documentado.
Eventualmente, coágulos também podem se formar, elevando o risco de um acidente vascular isquêmico.
As perspectivas de prognóstico depois da intervenção
Depois da inserção dos materiais responsáveis pela contenção do aneurisma, o paciente atendido precisa permanecer sob observação em ambiente hospitalar. O tempo necessário de recuperação até a alta hospitalar, em pacientes sem complicações, exige alguns poucos dias de internação.
Além do monitoramento da evolução da recuperação (inclusive do local da incisão), nesse meio tempo há a introdução, em alguns casos, da medicação necessária para “afinar” o sangue e facilitar a circulação.
Antes de ir embora para casa, o médico responsável pelo tratamento do aneurisma cerebral também repassa alguns cuidados básicos para prevenir contratempos. Eles envolvem a necessidade de repouso, a restrição de esforços físicos e os cuidados com a alimentação e a hidratação, bem como a manutenção de toda medicação prescrita.
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Referências
Endovascular Treatment of Intracranial Aneurysms: Current Status
https://www.ahajournals.org/doi/10.1161/strokeaha.113.000733
Cerebral aneurysm treatment: modern neurovascular techniques.
https://svn.bmj.com/content/svnbmj/1/3/93.full.pdf
Cerebral Aneurysm (American Association of Neurological Surgeons)
https://svn.bmj.com/content/svnbmj/1/3/93.full.pdf
Intracranial Vascular Treatments (American College of Radiology)
https://www.radiologyinfo.org/en/info/IntracranialVasc#1b1c282652ac490b8eb894025c2fdc61