De acordo com dados da Sociedade Brasileira de AVC, em 2024, o número total de óbitos por esse tipo de incidente neurológico superou os 88 mil casos em todo o país. As informações coletadas incluem os episódios de AVC isquêmico e hemorrágico, além de outras alterações (trombose venosa cerebral, hemorragia subaracnoide etc.) ou situações em que a disfunção não é determinada.
Seja como for, esses números mostram como esse é um tipo de alteração relativamente comum e merece atenção de pessoas, famílias e especialistas.
Pensando nisso, vale a pena esclarecer melhor o que diferencia um acidente vascular isquêmico de um hemorrágico, incluindo nisso a diferença nas abordagens de cada quadro.
A definição ampla do que é um acidente vascular cerebral
Também chamado popularmente de derrame cerebral, essa condição tem como característica central o rompimento ou o entupimento de vasos responsáveis por irrigar o tecido do cérebro.
Com isso, a área atingida fica inundada de sangue ou sem a irrigação necessária e, pouco a pouco, perde a atividade, gerando comprometimento significativo na mobilidade e na capacidade cognitiva da pessoa atingida. Sem a devida atenção, tais déficits podem ser irreversíveis e até mesmo colocar a vida em risco.
Portanto, quanto mais rápido e mais qualificada for a abordagem diante dessa suspeita, melhores tendem a ser os resultados da recuperação.
Os fatores de risco para um acidente vascular cerebral
De modo geral, os elementos capazes de aumentar a chance de alguém ter qualquer tipo de AVC são divididos em dois grupos. Assim, é possível distinguir fatores modificáveis de não-modificáveis.
Entre aqueles não-modificáveis (em que nada ou muito pouco pode ser feito) estão a idade (quanto mais velho, maior o risco) e o histórico familiar, que aumenta a predisposição à complicação.
Já os modificáveis estão muitos associados ao estilo de vida pouco saudável, o que inclui dieta inadequada, sedentarismo, consumo excessivo de álcool e tabagismo. A presença de determinadas condições vasculares, como hipertensão arterial, estenoses da carótida e malformação arteriovenosa também podem influenciar nesse risco.
Na dúvida, vale a pena conversar com seu médico de confiança sobre cada aspecto que impacta na chance de ser afetado por um derrame.
As diferenças de um AVC hemorrágico e de um isquêmico
A diferença de cada tipo de AVC se dá pelo mecanismo que interfere na circulação do sangue em determinada região do cérebro.
AVC Hemorrágico
De acordo com a Associação Norte-Americana de Acidentes Vasculares, esse tipo de acidente neurovascular responde por apenas 13% de todos os AVCs. Porém, algumas evidências sugerem que ele tende a ser mais letal.
Eles se formam a partir do rompimento de um vaso sanguíneo, que como consequência “derrama” o sangue em uma região do cérebro, formando um sangramento.
Na prática, o líquido pode se acumular no interior do cérebro ou na região subaracnoide, o que significa que a área afetada fica entre algumas das camadas que revestem o órgão.
Uma série de alterações na estrutura dos vasos costuma estar envolvida nesses episódios. Exemplos disso são aneurisma e malformações arteriovenosas, que em algum momento geram pontos de fragilidade nos locais onde o sangue passa até o ponto em que há uma ruptura.
AVC Isquêmico
Dentro da medicina, o termo isquemia denota a ideia de que há a interrupção ou bloqueio completo do fluxo de sangue para determinada região do corpo.
Diante disso, um AVC isquêmico acontece justamente quando um vaso sanguíneo é indevidamente obstruído.
Uma das causas para isso é o processo conhecido como aterosclerose, em que placas de gordura se acumulam até o ponto que o sangue deixa de fluir adequadamente. Coágulos ( êmbolos ), muitas vezes provenientes do coração, também podem ser responsáveis pela obstrução inadvertida.
Os Acidentes Vasculares Cerebrais isquêmicos respondem por aproximadamente 85% de todos os acidentes vasculares.
Leia também: O papel da abordagem endovascular no tratamento da ateromatose carotídea
O papel dos tratamentos endovasculares no manejo dessas condições
Na maioria dos casos, AVCs isquêmicos e hemorrágicos compartilham sinais e sintomas similares. Os mais comuns são:
- Confusão.
- Dificuldades de comunicação, sobretudo por meio da fala.
- Problemas para enxergar, com um ou os dois olhos.
- Dor de cabeça muito intensa, com início súbito e sem causa aparente.
- Desequilíbrio, perdas de coordenação motora ou mesmo incapacidade de ficar em pé e caminhar.
- Formigamento ou fraqueza que se espalha por apenas um lado do corpo (no rosto ou nos membros).
Na presença de um ou mais desses sintomas, a principal recomendação é procurar ajuda médica. A assistência é indispensável para que o diagnóstico seja confirmado, o que depende principalmente de exames de imagem para identificar a área afetada.
A partir disso, o tratamento adequado pode ser devidamente proposto. Dentro da neurorradiologia intervencionista, diversas abordagens são viáveis para abordar adequadamente o comprometimento.
No AVC isquêmico, o tratamento endovascular pode orientar a realização de uma trombectomia que remove o coágulo utilizando stents ou aspiração através de cateteres, trazendo bons resultados especialmente nas primeiras horas depois do AVC.
Em um AVC hemorrágico, técnicas endovasculares menos invasivas permitem a embolização de aneurismas com dispositivos específicos (micromolas e stents), reduzindo complicações e tempo de recuperação.
Diferenciar AVC isquêmico e hemorrágico é apenas o primeiro passo no diagnóstico e tratamento dessa condição de saúde potencialmente grave. Nem todos os casos podem ser prevenidos, mas a abordagem precoce e o uso dos melhores recursos disponíveis em cada etapa aumentam a chance de sucesso na contenção das consequências negativas associadas ao quadro.
Aproveite para saber mais sobre o tema e confira os avanços da trombectomia no tratamento do AVC isquêmico
Referências
Números do AVC
https://avc.org.br/numeros-do-avc/
Ischemic Stroke
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK499997
Ischemic Stroke (Clots)
https://www.stroke.org/-/media/stroke-files/lets-talk-about-stroke/type-of-stroke/ds15794_ltas_ischemicstroke_12_20.pdf?la=en
Ischaemic stroke
https://www.nature.com/articles/s41572-019-0118-8
Hemorrhagic Stroke
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK559173
Hemorrhagic Stroke
https://www.stroke.org/en/about-stroke/types-of-stroke/hemorrhagic-strokes-bleeds

