O aneurisma oftálmico é uma condição neurovascular que se desenvolve na artéria oftálmica, um segmento da artéria carótida responsável pela irrigação sanguínea do olho e arredores. Essa alteração pode causar sintomas visuais significativos e, quando atinge determinadas proporções, requer atenção médica especializada imediata.
Nesses casos, os aneurismas se formam quando há um enfraquecimento na parede da artéria do segmento oftálmico. Assim, esse ponto de fragilidade se expande gradualmente, criando uma dilatação anormal (que forma uma “bolsa” de sangue) que pode crescer ao longo do tempo, até se romper e provocar uma hemorragia.
As principais características de um aneurisma oftálmico gigante
Na prática, um aneurisma oftálmico gigante tem características anatômicas particulares que o distinguem de outros tipos de aneurismas cerebrais.
Sua localização estratégica próxima ao nervo óptico (que conduz o “sinal” do olho até o cérebro) faz com que mesmo pequenos aumentos de tamanho possam gerar sintomas perceptíveis. Quando a dilatação do ponto de fragilidade ultrapassa 25 milímetros de diâmetro é classificada como um aneurisma oftálmico gigante.
Além disso, diferentemente de outros aneurismas cerebrais que podem permanecer silenciosos por anos, o aneurisma oftálmico tende a manifestar sintomas mais precocemente devido a interferências nos mecanismos responsáveis pelo funcionamento da visão.
Em suma, o crescimento progressivo dessa alteração vascular pode exercer pressão sobre o nervo óptico, os músculos extraoculares e outras regiões importantes para a função visual. Esse desequilíbrio é responsável pela maioria dos sintomas que os pacientes experimentam.
De acordo com dados publicados no Journal of Clinical Neuroscience, esse tipo de manifestação como um todo (independentemente do tamanho) é responsável por entre 1% e 9% das alterações encontradas em pacientes com o diagnóstico de uma ruptura de aneurisma.
A hipertensão arterial não controlada é uma das principais causas, pois o aumento da pressão sanguínea enfraquece progressivamente as paredes das artérias. Fatores genéticos também desempenham papel importante, especialmente em pacientes com histórico familiar.
O tabagismo, o envelhecimento natural dos vasos sanguíneos e certas condições que afetam a integridade do tecido de vasos, veias e artérias, também podem contribuir para a formação dessa disfunção neurovascular.
Os sinais mais comuns dessa alteração neurovascular
Os sintomas do aneurisma oftálmico podem se desenvolver gradualmente, iniciando com alterações visuais sutis que progressivamente se tornam mais evidentes. A perda visual é frequentemente o primeiro sinal, podendo afetar a acuidade visual (ou seja, o quanto se consegue enxergar) e o campo de visão.
Muitos pacientes relatam visão embaçada ou redução da nitidez visual no olho afetado. Essa diminuição da capacidade visual torna-se mais constante com o crescimento do aneurisma. Veja, a seguir, outros sintomas comuns.
- Dores de cabeça localizadas na região frontal ou na região dos olhos.
- Pressão atrás dos olhos.
- Redução na movimentação do globo ocular.
- Visão dupla.
- Dificuldade para focar em objetos próximos ou distantes.
A persistência e a progressão desses sinais representam uma urgência médica. Portanto, o atendimento deve ser procurado o mais rápido possível para que seja possível distinguir a causa dessas disfunções.
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O diagnóstico e o tratamento de um aneurisma oftálmico
O diagnóstico preciso do aneurisma oftálmico requer uma avaliação detalhada, sobretudo a partir de exames de imagem. A angioressonância magnética, a angiotomografia computadorizada de crânio e a angiografia cerebral são exemplos de ferramentas fundamentais para caracterizar a localização, tamanho e a interferência sobre as regiões mais próximas.
As imagens obtidas permitem que o especialista avalie com precisão a anatomia vascular e as características específicas do aneurisma oftálmico. Tais informações também contribuem para que seja traçada a melhor estratégia de tratamento para cada caso.
O tratamento endovascular representa uma abordagem pertinente para a maioria dos episódios. Com o uso de técnicas minimamente invasivas, é possível acessar a circulação cerebral através de um pequeno orifício na artéria do braço ou da virilha, dispensando a necessidade de cirurgia aberta do crânio.
Durante o procedimento endovascular, diferentes dispositivos podem ser utilizados conforme as características específicas do aneurisma.
As molas de platina são frequentemente empregadas para promover a oclusão do aneurisma, isolando-o da circulação normal. Em casos mais complexos, stents redirecionadores de fluxo podem ser necessários para desviar o fluxo sanguíneo e promover a cicatrização gradual do aneurisma.
A recuperação após o tratamento endovascular é geralmente mais rápida que a cirurgia convencional, com a maioria dos pacientes permanecendo hospitalizados por poucos dias para monitoramento.
O risco de complicações também é menor em comparação às cirurgias convencionais. O acompanhamento oftalmológico regular é essencial para avaliar a recuperação da função visual e detectar possíveis intercorrências.
O prognóstico visual depende principalmente do tempo de evolução dos sintomas antes do tratamento. Intervenções precoces tendem a apresentar resultados mais positivos na preservação ou recuperação da função visual, destacando a importância do diagnóstico e tratamento ágil do aneurisma oftálmico, inclusive quando ele é gigante.
Aproveite e confira mais informações sobre as abordagens endovasculares nos tratamentos de aneurismas cerebrais.
Referências
Comparative Efficacy of Endovascular Therapy and Microsurgery in Treating Ophthalmic Artery Aneurysms: A Systematic Review and Meta-Analysis
https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1878875024019776
Manifestações oftalmológicas em paciente com aneurisma gigante de carótida interna
https://www.scielo.br/j/rbof/a/85rgp7Pf38vQ84s4dYt4Qhw
Giant cerebral aneurysm
https://radiopaedia.org/articles/giant-cerebral-aneurysm
Aneurisma do segmento oftálmico da artéria carótida interna: características clínicas, angiográficas e resultados do tratamento endovascular
https://repositorio.ufpe.br/bitstream/123456789/8199/1/arquivo2817_1.pdf
Predictors for ophthalmic segment aneurysms recanalization after coiling and flow diverter embolization in 6- and 12-month follow-up
https://www.jocn-journal.com/article/S0967-5868(18)31219-0/abstract

