A embolização de tumor cerebral é um procedimento que tem se consolidado como ferramenta importante no tratamento cirúrgico de determinados tumores, em especial aqueles altamente vascularizados, alojados em diferentes partes do sistema nervoso central.
Embora muitos pacientes e familiares ainda tenham dúvidas sobre essa técnica, compreender seu papel pode ajudar a entender melhor o planejamento terapêutico quando ela é indicada.
Que tipo de tumor cerebral pode precisar da embolização antes da cirurgia?
De modo geral, a embolização pré-operatória tem como principal objetivo reduzir o suprimento de sangue ao tumor antes da cirurgia de ressecção (ou seja, de remoção da lesão).
Diversos tumores cerebrais e da região da cabeça e pescoço podem se beneficiar da embolização pré-operatória. No entanto, a técnica é indicada principalmente para tumores hipervascularizados, o que inclui:
- hemangioblastomas,
- meningiomas,
- hemangiopericitomas,
- tumores neurogênicos (por exemplo, schwannomas),
- paragangliomas,
- angiofibroma nasofaríngeo juvenil,
- hemangiomas.
Os chamados tumores cerebrais hipervascularizados recebem grande volume sanguíneo através de múltiplas artérias, o que pode dificultar significativamente o procedimento cirúrgico.
Entre todos eles, os meningiomas representam o grupo mais comumente submetido à embolização pré-operatória. Esses tumores surgem das meninges (membranas que envolvem o cérebro) e frequentemente apresentam extensa vascularização.
A classificação dos tumores do sistema nervoso central é complexa. De todo modo, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) registra mais de 11 mil casos diagnosticados todos os anos no Brasil. Desse total, cerca de 88% atingem o cérebro. Os demais atingem diferentes áreas da medula espinhal.
A decisão sobre realizar ou não a embolização é individualizada e depende de diversos fatores. A equipe considera elementos como a localização do tumor, seu tamanho, o padrão de vascularização nos exames de imagem, a acessibilidade dos vasos nutrientes e a condição geral do paciente.
Portanto, nem todos os tumores cerebrais necessitam de embolização. Normalmente, cirurgiões operam diretamente tumores pequenos, pouco vascularizados ou cujos vasos pertinentes não são acessíveis por via endovascular. Assim, esses casos dispensam o procedimento preparatório.
Como esse procedimento de embolização é feito?
O neurorradiologista responsável realiza a embolização de tumor cerebral sob anestesia geral, com auxílio de raios-X e contraste iodado. O procedimento é minimamente invasivo, ou seja, não requer abertura do crânio.
Assim, o profissional faz uma pequena incisão na virilha ou no punho. Por essa abertura, ele introduz um cateter fino e flexível e o conduz cuidadosamente até as artérias que irrigam o tumor. Durante todo o trajeto, o especialista acompanha o posicionamento do cateter por meio de imagens em tempo real.
Uma vez posicionado corretamente, o tumor é mapeado para identificar possíveis conexões com vasos que irrigam estruturas importantes do cérebro.
Após essa avaliação, é feita a injeção do material que promoverá a embolização. Podem ser utilizadas micropartículas, micromolas ou agentes líquidos embolizantes adesivos ou não adesivos.
Esses mecanismos bloqueiam o fluxo sanguíneo para a lesão. Depois disso, normalmente a cirurgia de ressecção do tumor é programada para ocorrer preferencialmente nos dias seguintes à embolização.
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Quais os benefícios da embolização do tumor cerebral?
As razões pelas quais a embolização dos tumores cerebrais hipervascularizados tem se tornado parte importante dos tratamentos oncológicos são várias e incluem aspectos como:
- diminuição do sangramento durante a cirurgia, o que permite ao cirurgião trabalhar com melhor visualização da área, dando maior precisão para a dissecção do tumor e do tecido cerebral saudável;
- redução do risco de lesão a estruturas cerebrais importantes;
- queda na chance de complicações das mais diversas;
- aumento da taxa de ressecção completa, melhorando o prognóstico do paciente;
- possibilidade de tratamento paliativo principal em tumores inoperáveis, visando reduzir o tamanho da lesão e controlar sintomas relacionados.
Com tudo isso, os benefícios da embolização pré-operatória são múltiplos e bem documentados na literatura médica.
Uma publicação de 2023 do Journal of NeuroInterventional Science, por exemplo, demonstrou que pacientes submetidos à embolização de tumor cerebral tiveram cirurgias mais rápidas e apresentaram um período maior de remissão do tumor.
Outro artigo também de 2023, dessa vez do periódico Clinical Neuroradiology, demonstrou que pacientes recebendo a embolização tiveram menos complicações graves, incluindo as da própria embolização.
No mais, esses indivíduos apresentaram maior taxa de recuperação funcional, ampliando a capacidade de retomar as atividades normais depois do tratamento.
O procedimento de embolização de tumor cerebral é seguro? Quais os riscos?
Em linhas gerais, a embolização de tumor cerebral é relativamente segura. No entanto, todo procedimento médico apresenta riscos a serem ponderados em relação aos benefícios esperados. As intercorrências mais comuns envolvem:
- febre e dor localizada, além de hematomas no local da punção, geralmente sem consequências maiores;
- complicações neurológicas que, embora pouco frequentes, podem ocorrer, desencadeando eventos isquêmicos ou hemorragias;
- reações alérgicas ao contraste iodado utilizado para facilitar a visualização das artérias.
Vale destacar que a embolização de tumor cerebral faz parte de um planejamento terapêutico multidisciplinar, envolvendo neurocirurgião, neurorradiologista intervencionista, oncologista e outros profissionais. Portanto, todas as dúvidas e preocupações devem ser amplamente discutidas com a equipe médica, garantindo a tranquilidade necessária para o paciente.
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Referências
Preoperative endovascular embolization of meningiomas: update on therapeutic options
https://thejns.org/focus/view/journals/neurosurg-focus/38/3/article-pE7.xml
Preoperative tumor embolization prolongs time to recurrence of meningiomas: a retrospective propensity-matched analysis
https://jnis.bmj.com/content/15/8/814
Embolização de tumor hipervascular – Meningioma
https://sbnr.org.br/2013/08/13/embolizacao-de-tumor-hipervascular-meningioma/

