Diferente do que acontece com um aneurisma roto, que representa uma emergência médica, a descoberta de um aneurisma não rompido permite uma abordagem mais planejada.
Em tal cenário, o neurorradiologista intervencionista analisa criteriosamente fatores como tamanho, localização e formato do aneurisma, bem como a idade do paciente e suas condições gerais de saúde.
No fim, essa soma de aspectos fundamentais garante a melhor decisão sobre a necessidade de acompanhamento regular, sempre considerando a estabilidade da alteração.
Como um aneurisma não rompido é identificado
Parte significativa dos aneurismas não rompidos (ou não rotos, como também são chamados) permanece silenciosa por anos, sem causar sintomas específicos ou perceptíveis.
Sua descoberta costuma ser incidental, ou seja, durante exames realizados por outros motivos médicos diversos.
Na maioria dos casos, são assintomáticos. Ainda assim, algumas situações comuns que levam à identificação incluem investigações de dores de cabeça persistentes, vertigens, problemas de visão ou outros sintomas neurológicos variados.
Por consequência, os exames de imagem mais utilizados para o diagnóstico incluem: angiotomografia computadorizada, angiorressonância magnética e, em casos específicos, angiografia cerebral convencional. Cada um desses métodos oferece informações complementares valiosas sobre a anatomia vascular e as características detalhadas do aneurisma não rompido.
É importante compreender que nem todos os aneurismas evoluem necessariamente para ruptura. Dados disponíveis nas diretrizes de manejo de aneurismas não rompidos publicados pela Associação Norte-Americana do Coração e pela Associação Norte-Americana do AVC mostram que dilatação aneurismática é encontrada em mais de 3% da população adulta mundial.
Desse total, a expectativa é de que 1 a cada 200 ou 400 casos evoluam para uma ruptura, o que provoca uma hemorragia subaracnóide potencialmente grave.
Leia também: Os avanços da trombectomia no tratamento do AVC isquêmico
Abordagens mais utilizadas no tratamento desse tipo de aneurisma
Assim sendo, a decisão entre manter a observação clínica cuidadosa e promover uma intervenção no aneurisma não rompido baseia-se na avaliação criteriosa da chance de ruptura em relação aos riscos do procedimento utilizado para tratar o aneurisma.
Os médicos especialistas contam com escalas e escores utilizados com o propósito de dimensionar inicialmente essa relação a partir de dados objetivos do paciente.
Um dos mais adotados é o PHASES. A denominação vem de um acrônimo em inglês composto pelos seguintes elementos fundamentais:
- População (etnia, por exemplo).
- Hipertensão arterial.
- Idade.
- Tamanho do aneurisma.
- História prévia de hemorragia subaracnoide por outro aneurisma.
- Localização específica do aneurisma.
O escore não considera isso, mas entram também na avaliação fatores como histórico de tabagismo e dinâmica de crescimento do aneurisma não rompido.
Para aneurismas de baixo risco, o devido acompanhamento especializado tende a ser a melhor estratégia terapêutica.
Nestes casos, é possível concentrar esforços em paralelo no controle rigoroso dos fatores de risco modificáveis e na realização de exames periódicos regulares. São solicitados novos testes em intervalos que variam de seis meses a um ano, dependendo das características individuais.
Quando há indicação de intervenção no curso do aneurisma não rompido, as técnicas endovasculares são a primeira escolha na maioria dos casos. Elas são as menos invasivas e garantem maior segurança.
A embolização com molas de platina é frequentemente utilizada. Ela é realizada através de um pequeno cateter inserido pela artéria do braço ou virilha, dispensando a abertura do crânio. Existem outras opções disponíveis, como stents redirecionadores de fluxo e técnicas assistidas por balão.
Embora menos empregada atualmente, a cirurgia aberta com clipagem continua sendo necessária em situações específicas.
Outros cuidados favoráveis no acompanhamento da condição
Se houver a opção pela observação clínica, o manejo de um aneurisma não rompido vai além do acompanhamento médico regular.
Como mencionado de maneira breve anteriormente, a estratégia envolve mudanças importantes no estilo de vida que podem reduzir o risco de complicações futuras. Os principais cuidados com esse objetivo incluem:
- controle rigoroso da pressão arterial, uma vez que a hipertensão contribui diretamente para o crescimento e a ruptura de aneurismas não rompidos.
- redução do consumo de bebidas alcoólicas e interrupção do tabagismo, que danifica progressivamente as paredes dos vasos sanguíneos e também aumenta significativamente o risco de ruptura.
- exercícios físicos regulares, que contribuem efetivamente para o controle da pressão arterial e outros parâmetros importantes de saúde, sempre com a orientação profissional especializada.
- alimentação equilibrada, igualmente essencial para o controle adequado da pressão arterial e manutenção da saúde vascular.
Por fim, a comunicação imediata aos profissionais de saúde sobre qualquer sintoma novo (como dores de cabeça súbitas e intensas, alterações visuais ou motoras) é absolutamente indispensável. Esses sinais podem indicar uma eventual ruptura, tornando a busca por suporte especializado algo urgente e imediato.
O diagnóstico de um aneurisma não rompido, embora cause preocupação inicial, permite o manejo correto e as medidas preventivas apropriadas. Com isso, é possível manter uma boa qualidade de vida, reduzindo significativamente os riscos associados a essa condição neurovascular.
Se você quer saber mais sobre as abordagens endovasculares nos tratamentos para aneurisma cerebral, acesse esse conteúdo já publicado por aqui.
Referências
Guidelines for the Management of Patients With Unruptured Intracranial Aneurysms: A Guideline for Healthcare Professionals From the American Heart Association/American Stroke Association
https://www.ahajournals.org/doi/10.1161/STR.0000000000000070
PHASES Score for Prediction of Intracranial Aneurysm Growth
https://www.ahajournals.org/doi/10.1161/STROKEAHA.114.008198?url_ver=Z39.88-2003&rfr_id=ori:rid:crossref.org&rfr_dat=cr_pub%20%200pubmed

