Embora seja uma alteração neurovascular frequentemente associada às fases mais avançadas da vida, os casos de AVC em jovens demonstram que essa condição deve ser uma preocupação também em outras faixas etárias.
De acordo com a Sociedade Brasileira de AVC, consideram-se acidentes vasculares cerebrais em jovens adultos aqueles que ocorrem entre os 18 e os 50 anos.
A prevenção e a abordagem adequadas desses episódios tornam-se ainda mais relevantes quando se considera a expectativa de vida que essas pessoas ainda têm após o diagnóstico – que pode ser afetada significativamente pelas sequelas da condição.
Qual o tamanho do impacto de AVC em jovens?
A percepção de que os casos de AVC em pessoas com menos de 50 anos estão aumentando não é apenas uma impressão. Vários dados sustentam essa realidade.
Exemplo disso é um artigo do Journal of the American Heart Association, publicado em maio de 2025. Com números provenientes do Global Burden of Disease, que coleta e compila informações de diversas complicações de saúde, os pesquisadores mostraram que apenas em 2021 foram registrados 1,76 milhão de novos casos de AVC em pessoas na faixa dos 15 aos 49 anos.
Naquele mesmo ano, a estimativa era de que havia mais de 20 milhões de indivíduos desse grupo etário convivendo com as consequências de AVC em jovens (novo ou antigo).
Dessa forma, os autores do levantamento apontaram que entre 1990 e 2021 houve um aumento de 36% de novos casos de AVC em jovens em todo o mundo. Apesar disso, é importante ponderar que os patamares proporcionalmente registrados em todas as faixas etárias não tiveram aumento similar.
Considerando a realidade brasileira, as perspectivas são semelhantes. Outro estudo, dessa vez publicado na revista Stroke, acompanhou a incidência de AVCs em jovens adultos da cidade de Joinville, em Santa Catarina. Foram monitorados os registros em diferentes intervalos entre os anos de 2005 e 2015.
Os autores demonstraram que a incidência geral de AVC em jovens adultos abaixo dos 45 anos aumentou 62%. Já naqueles com menos de 55 anos, a elevação foi de 29%. O incremento no número de casos ocorreu sobretudo devido aos quadros isquêmicos, enquanto os hemorrágicos permaneceram estáveis.
Que fatores podem explicar o aumento desses casos?
Esse crescimento pode estar relacionado a diversas causas combinadas. Ou seja, não é possível apontar um único fator capaz de explicar o fenômeno.
De qualquer forma, entre alguns dos elementos com peso na questão está o crescimento da presença de alterações metabólicas e cardiovasculares, que incluem:
- Hipertensão arterial.
- Diabetes.
- Colesterol alto.
- Obesidade.
- Outras condições cardiovasculares preexistentes.
Além disso, o estilo de vida moderno, caracterizado por alimentação desequilibrada, sedentarismo, maior exposição a poluentes, consumo abusivo de álcool, tabagismo e aumento do uso de anabolizantes, certamente contribui progressivamente para a complicação.
Outro ponto importante é que há uma discrepância entre gêneros no que diz respeito à incidência e aos fatores de risco do AVC em jovens. Mulheres jovens podem estar mais vulneráveis devido a fatores específicos do período reprodutivo, sendo um deles o uso de contraceptivos hormonais, como reforça publicação do periódico Stroke de 2020.
Por fim, a melhoria nos métodos diagnósticos também tem interferência sobre os números. Com a ampliação do uso da ressonância magnética, entre outros recursos, é possível identificar com maior precisão casos de AVC em jovens que antes poderiam passar despercebidos.
Qual a abordagem adequada e as perspectivas de recuperação de um AVC em um paciente jovem?
Diante desse cenário, é essencial implementar medidas que promovam estilos de vida saudáveis, com controle rigoroso dos fatores de risco metabólicos, cardiovasculares e comportamentais, além da ampliação do acesso a diagnóstico e tratamento adequados.
De todo modo, cabe reforçar que a apresentação clínica de um AVC em jovens não difere significativamente em comparação às pessoas mais velhas. Por isso, é necessário estar atento a sintomas como:
- Fraqueza, formigamento ou dormência súbita em um lado do corpo.
- Dificuldade para falar.
- Alterações na visão.
- Perda de equilíbrio.
- Dor de cabeça intensa e repentina.
- Confusão mental.
- Dificuldade para andar.
- Tontura e sonolência.
A partir da presença de um ou mais desses sinais, a busca por ajuda especializada é indispensável. A intervenção precoce aumenta as chances de que o acidente vascular seja identificado e tratado já nas primeiras horas, gerando maior possibilidade de sucesso na recuperação.
Entre as possibilidades de tratamento de AVC em jovens estão desde o uso de medicamentos para dissolver os coágulos até procedimentos específicos para restabelecer o fluxo sanguíneo na área atingida. Com o aprimoramento das técnicas disponíveis, parte dessas abordagens pode ocorrer de modo minimamente invasivo, sobretudo com o apoio de um neurorradiologista intervencionista.
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